vista cansada

Bom artigo explicando algumas terminologias sobre Presbiopia, o que a maioria das pessoas depois 40 anos tem.

Fonte: retirada do texto da Suzana Herculano-Houzel no site da Folha de SP dia 13 de Outubro de 2015

A idade me pegou: agora preciso de óculos não só para longe (para corrigir um astigmatismo pequeno, mas que está piorando), mas também para perto —a tal da “vista cansada” ou presbiopia.

O problema é que os músculos de dentro dos meus olhos não conseguem mais alterar o formato do cristalino, a lente interna que focaliza imagens sobre a retina. Essa lente muda de forma, ficando mais arredondada conforme o objeto para o qual olhamos se aproxima —como quando meu filho vem falar comigo. Sem isso, a imagem “cai” cada vez mais fora da retina, ficando desfocada —e me descobri afastando o rosto do dele para poder vê-lo.

Até uns 40 anos de idade, a correção acontece tão bem e tão rapidamente que nem nos damos conta de que o córtex visual está permanentemente trabalhando para manter a visão focada, comandando correções assim que a imagem formada começa a ficar borrada.

Normalmente, a correção, feita via sistema nervoso parassimpático e sob comando do mesencéfalo, sob ordens do córtex visual, equivale a inserir uma lente de até três dioptrias (unidade de medida que afere o poder de refração das lentes) na frente da retina, dependendo da distância até o objeto que ganha o foco da sua atenção.

Quando os olhos conseguem responder à altura, ótimo. Senão, é preciso colocar uma lente externa para ajudar na tarefa: os óculos.

Como todo o resto, só nos damos conta de quanto o cérebro trabalha para manter nosso cotidiano “normal” quando as falhas aparecem. Mas tão impressionante quanto todo esse trabalho normal, anterior às falhas, é a nossa capacidade de também nos adaptarmos a uma nova realidade visual, com óculos —sobretudo quando não são lentes simples.

Na tentativa de resolver ao mesmo tempo minhas deficiências visuais para perto e para longe, apelei para óculos multifocais, capazes de fazer a correção com dioptrias diferentes em pontos diferentes das lentes.

Quem se adapta a eles aprende a conviver com “zonas de visão” para perto, a meia distância e para longe, o que envolve mover não só olhos como a cabeça.

Meus pais se adaptaram. Eu bem que tentei, mas por enquanto não deu. Não consigo lidar com o fato de ter que mover a cabeça, e não simplesmente os olhos, para ver em foco. Vou voltar aos meus “oclinhos” de leitura, mesmo, com tecnologia de mais de 700 anos atrás, enquanto a ciência não resolver o meu problema.

Suzana Herculano-HOuzel, Carioca, é neurocientista treinada nos Estados Unidos, França e Alemanha.
Escreve às terças, a cada duas semanas. na Folha

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