Em resposta ao artigo “O Declinio da Oposicao” de Mauricio Dias do Carta Capital

Nao acredito que o PT ficara no poder como o PRI ficou no Mexico. Se a economia estiver ruim na epoca da reeleicao de Dilma, o partido de oposicao ganhara e ponto final, como foi em 2002. Sempre disse que o Brasil e uma copia fiel dos EUA em muitos aspectos (felizmente ou infelizmente, nao sei precisar qual). E parece que na politica isto tambem esta acontecendo. Vejo o PT mais como o partido Democarata americano e o PSDB como o partido Republicano americano. O discurso de oposicao no Brasil procede quanto ao tamanho do estado. Concordo que o inchaco da maquina governamental tem um efeito negativo na economia a longo prazo, pois o governo brasileiro historicamente e muito corrupto e ineficiente, portanto o dinheiro gasto nao e de forma eficiente e todos pagam altos impostos por esta ineficiencia. Se nossa classe politica fosse honesta, assim como nosso governo. O estado brasileiro poderia hoje fazer um trabalho brilhante na educacao, saude, seguranca e desenvolvimento do pais. Creio eu que o governo Dilma tem esta consciencia, mas esta atrelado ha uma maquina governamental que dilapida em prol de beneficios pessoais de um congresso (camara e senado) e poder juridico mesquinhos que tem mais interesses proprios que altruisticos e sociais.
Sempre disse que ha um fator que ajudara o Brasil a ser mais justo e honesto: a tecnologia. No Brasil precisa ter auditor em todos os niveis governamentais. A tecnologia facilita e muito a auditoria dos cofres publicos. As lei de ficha limpa e outras leis contra o abuso precisam ser aplicadas com seriedade. O Brasil evoluira ainda mais se estas medidas forem tomadas a serio. Ja evoluimos muito nos ultimos 20 anos e vejo com bons olhos os proximos 20.
Precisamos todos ser vigilantes dos nossos governantes, dos nossos recursos humanos, ambientais e principalmente dos nossos politicos e por nao assim dizer, de nos mesmos. Este e desafio do povo brasileiro. Parabens Erima por fazer sua parte, Nao desanime, seu trabalho de formiguinha apagando o fogo e muito importante sim. Continue a luta!

Josa

Mauricio Dias: O declínio da oposição

por Mauricio Dias, em CartaCapital

Com a vitória do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, em 1994, a embriaguês provocada pelo sucesso do Plano Real levou Sergio Motta, então ministro das Comunicações, a prever que o PSDB ficaria no poder por 20 anos (para isso não poupou forças e atropelou limites éticos). Preparou a emenda da reeleição de FHC e passou como um trator sobre a oposição ao catar votos a qualquer preço.

Elogiado como operador político e financeiro das campanhas eleitorais tucanas, Motta falhou no papel de oráculo. O planejado império tucano durou oito anos. Empurrado para o papel de principal opositor do governo petista o PSDB e, mais ainda, seus aliados sofreram um impacto ameaçador ao longo dos oito anos do operário Lula no governo. A vitória de Dilma acelerou o processo e o DEM (ex-PFL), por exemplo, vive um perigoso minguante.

O que explica a erosão político-partidária da oposição?

Reflexões mais profundas levariam à conclusão de que, sem enraizamento social, ela perdeu-se ao deixar o poder. Mas há circunstâncias contingenciais.

Os adversários do PT ficaram sem o norte, dizem em coro. É mais grave, porém, do que isso. Eles se desnortearam ao se apresentarem nas eleições tentando esconder o que fizeram: as privatizações que pressupunham a destruição das bases do “Estado brasileiro” para soerguimento de um “Estado mínimo”, globalizado e sem soberania.

O retrato desse amedrontado comportamento foi exibido no decorrer das três últimas campanhas presidenciais.

Como opositores, são muitas as quimeras dos tucanos. Eles agora prenunciam uma “ditadura partidária” do PT que pode levar à situação ocorrida no México. Ou seja, o domínio, por 70 anos, do Partido Revolucionário Institucional (PRI).

Essa nova tentativa de aterrorizar a sociedade entra, no entanto, em contradição com o devaneio de que são da oposição, ou ainda melhor, significam rejeição a Dilma, 43 milhões, 711 mil e 388 votos obtidos pelo candidato José Serra no 2º turno. Isso equivale a 43,95% dos votos válidos. Eis a tese:

“O papel da oposição, em larga medida, foi representado pela mídia”, escreveu com precisão, recentemente (em O Globo), o embaixador aposentado Rubens Barbosa, presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp, ao lamentar que a oposição tenha perdido o discurso. Mas foi impreciso o formulador tucano ao deduzir que “… 43 milhões rejeitaram o que o PT representa…”

Essa teoria trava uma briga de morte com os fatos. A teoria morre no fim.

Os eleitores não são cativos dos candidatos. Nem dos que ganham nem dos que perdem. Aqueles 43 milhões ainda estão colados no candidato derrotado?

Números inéditos da pesquisa Ibope, de março de 2011, respondem que não. Ao se manifestarem pela aprovação do governo e pela confiança que depositam em Dilma eles dão sinais de que se desgarram dos tucanos. Isso não significa, entretanto, que tenham trocado de lado. Dilma parece ter cooptado uma parte substancial dos eleitores que declararam ter votado em Serra no 2º turno (quadro ao lado). Ou seja, parece estar se esvaindo aquele estoque de votos que os tucanos acreditam cativo.

Eleitores e quimeras se esfumam como “a brancura da espuma que se desmancha na areia”, tal como ensina o samba Risque, clássico de Ari Barroso.

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